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SE DEUS QUISER

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As palavras expressam muito mais do que dizem. E eu, cívico, laico e que fiz cinco anos de teologia na Universidade Católica de Milão, sempre estremeço ao escutar a locução “se Deus quiser”, usada em cada frase, para finalizar qualquer assunto. Culturalmente, o “sDq” parece uma posição clara na disputa teológica milenária entre predestinação, livre arbítrio e responsabilidade do homem, com si mesmo e os outros. Em particular, parece apoiar a visão ultracalvinista de um mundo já totalmente alocado por vontade de Deus. Dele dependeria totalmente tudo o que acontece: um destino abrangido entre fatalismo e predeterminação. Algo que tira a responsabilidade do homem para as suas ações e a determinação dessas sobre os efeitos, individuais ou sociais que sejam; essa abordagem à vida parece ser ratificada por outras gírias recorrentes, tais como “pois é” e “fazer o quê?”, que legitimam resignação, respeito a uma realidade independente ou superior à própria vontade e determinação e reforç...

Facebook e o fim do relacionamento

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Mais de 20% dos casais que se separam hoje justificam a decisão pelas mensagens incriminadoras descobertas no Facebook. Faz tempo que as redes sociais entraram em nossas casas, mas será que são mesmo um perigo para os relacionamentos amorosos? Hoje em dia não existem mais desculpas para não saber como usar o Facebook sem ser descobertos, se vocês realmente querem trair seu parceiro. Todos conhecem as configurações de privacidade, certo?  Mas vamos um passo atrás. Há um casal que está junto há anos, a idade não importa, dizem as estatísticas. Mesmo o sexo não conta. Ele regularmente volta para casa no fim do dia e, em seguida, liga o computador. Vê as fotos de uma pessoa fascinante, clique um “curtir” e troca palavras em público. No dia seguinte, a mesma cena. A troca em público desliza em uma mensagem privada, e continua assim por vários dias. Talvez os dois param em declarações platônicas e nunca se reunirão na vida real, mas mesmo assim, aquele casal que parecia tão só...

Mas que crise?

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Depois da Russia, é a volta de outro país do Brics, ou seja, o Brasil, estar em dificuldades depois de anos de crescimento econômico. Só para ter uma ideia: só em 2014 o país gastou 6% do PIB em pagamentos de juros sobre a dívida. Mas quando ouço as pessoas reclamar da “crise”, sempre me pergunto: mas de que crise estão falando? Econômica? Financeira? E que ideia de mercado tem os que falam de crise? Que parâmetros de avaliação vêm usados? Onde está a memória?  Quero dizer: nos últimos 25 anos o Brasil tem visto altos e baixos. A inflação ao início dos anos 1990 aumentou mais de 2.000%, e só a introdução de uma nova moeda em 1994 quebrou a tendência. No final dos anos 90 o déficit do país e a elevada dívida pública acumulada fez intervir Fundo Monetário em 2002. De repente, em seguida, a situação mudou radicalmente entre 2002 e 2008, o país registrou taxas de crescimento de 4% ao ano, com fortes aumentos das exportações de ferro, petróleo e açúcar. Mas hoje o Brasil está em ...

Mudita - O princípio da felicidade

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A palavra sânscrita “mudita” significa “ alegria desinteresseira para o sucesso de alguém ”; mais ou menos o oposto da alemã “schadenfreude”, ou seja, “ alegria causada pela desgraça dos outros” . Mudita é uma das quatro principais virtudes do Budismo e, eu acho, mais rara do que a schadenfreude. Isso porque, o conceito de felicidade baseia-se, mais do que gostaríamos de admitir, na comparação: "ser feliz", muitas vezes significa sê-lo mais do que os outros. "Não é suficiente que as coisas foram bem; tem que dar errado para os outros", dizia o cáustico Vidal. É por isso que, de acordo com algumas pesquisas, um pequeno aumento de salário só para nós pode nos deixar mais felizes do que um superior, mas também reconhecido aos nossos colegas. Talvez isso também é a razão do porque, em alguns países, a taxa de felicidade e de suicídio são igualmente altas. Quando você está cercado por pessoas felizes, sentir-se infeliz é particularmente deprimente. Mais ou ...

Tornado e inteligência política

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Um dos erros que, ingenuamente, o povo costuma fazer, é achar que política seja em si mesma, conceptualmente ou intrinsecamente, inteligente: algo que os políticos gostam de deixar acreditar. Encontramos confirmação disso de um lado, por exemplo, do uso escancarado e aleatório dos termos “plano/planejamento”, “projeto” e/ou “objetivo” e, de outro, das inúmeras teorias de conspiração que, invariavelmente, acompanham as leituras dos eventos mais dramáticos ou significativos que mudam o curso do dia a dia, do Estado ou da cultura. E assim acostumamos introjetar a ideia de uma arguta transcendental paternalística inteligência atrás das locuções, como por exemplo, “plano de segurança”, “planejamento estratégico”, “projeto de desenvolvimento econômico”, “objetivo social”, etc. Inteligência, etimologicamente falando, se refere à capacidade de entrar dentro das coisas, em profundidade, ou seja, aprofundá-las e entendê-las até a essência. A inteligência política teria, portanto, que refe...

A Policia parla con Deny e com a sociedade - Reflexões post-debate PcDy

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Canal YouTube Parla con Deny O programa radio Parla con Deny (facebook e canal youtube), apresentado pelo escrevente, essa semana abordou reflexões e considerações sobre as competências, a doutrina de atuação/ação e a relação com a sociedade da instituição da polícia brasileira; em particular na mesa do programa participaram o Delegado Regional da Policia Civil, Dr. H. G. Muxfeldt, a Delegada da Comarca de SMO, Dr.a L. Junges e o Major subcomandante de batalhão da Policia Militar, Dr. M. Wallau em representação das duas instituições policiais estaduais reconhecidas pelo artigo 144 da Constituição, além das federais Federal, Rodoviária e Ferroviária. A crônica das últimas semanas (Menino Eduardo, Alan de Souza Lima, etc.) que esposem alguns policiais, e consequentemente toda a instituição, aos imediatos e automáticos ataques mediáticos de injustificada violência preventiva e impune corporativismo, nos ofereceu a pauta para fazer o ponto sobre a cultura interna da Polícia, a...

Quem serve a policia?

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Canal YouTube Parla con Deny O termo polícia deriva do grego, politia , ou seja, "constituição política". Sem dúvida é uma instituição-chave do poder Executivo para entender a maturidade cultural de um povo, pois representa e expressa concretamente: por um lado, o ponto de encontro entre dimensão política e cultura cívica, e por outro, a forma de administração, produção e reprodução do poder e da ordem. Tudo isso ao longo de uma dimensão onde a violência é intrínseca e estrutural, porque ao contrário de cidadãos privados, a polícia é constitucionalmente autorizada ao uso da força, que se desenvolve ao longo de um eixo onde, aos seus extremos, tem participação social e/ou repressão, aliviada, enquanto emanação do poder jurisdicional, da justificativa de segurança e paz social. É por isso que é sempre importante e delicada a observação contínua do funcionamento e do impacto que a polícia tem sobre o estado civil e sobre a representação que as pessoas têm de...

O canibalismo do jeitinho: dinheiro, dinheiro, dinheiro

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Adicionar legenda Desde que moro no Brasil, a lista de ocorrências para me passar a perna e lucrar dinheiro, mais do que extensa, é virtualmente interminável: acordos e contratos não respeitados, palavras não cumpridas, valores aumentados de repente, cobranças absurdas, multas injustas, etc. Tudo por dinheiro. Dinheiro, dinheiro, dinheiro: danado, sujo, imediato. Calculei que com o dinheiro “jogado fora” (perdido? subtraído?) por não ser “experto” com “essas atitudes” poderia ter feito uma segunda faculdade de Medicina ao invés de um forçoso mestrado em "jeitinho". Em relação a isso, vivi três etapas. Na primeira, que poderíamos chamar de "paranoide", atribuía estes comportamentos diretamente ao fato de ser estranho e estrangeiro, conforme ao cliché de leigo e rico: ou seja, um cara, que não sabe, que passa, que vai embora e traz euros. Lembro uma vez em que comprei uma planta para um casal de pacientes como presente para o sucesso de um percurso terapêut...

Como combater a corrupção (sem Pinóquio)

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Os escândalos Petrobras, Lava Jato, etc., reacenderam o debate sobre a luta contra a corrupção na administração pública. Como esperado, as propostas resolutivas são caracterizadas pelo vício paternalístico a acreditar que teria que ser “alguém outro” a resolver o problema que “outros” criam ou varar novos “pacotes de leis” no Código Penal, que geralmente é a estratégia utilizada pela classe política para autoabsolver-se, sem atacar o sistema de subornos.  Melhor seria se a gente quisesse de verdade resolver o problema da corrupção, expondo também os próprios hábitos, como eficaz sinal de boa vontade, pelo menos, estudar quais são as receitas que tenham reduzido, embora nunca totalmente eliminado, a corrupção nos estados que ocupam os primeiros lugares no ranking da Transparência Internacional. Eu as li e o que emerge é o seguinte: Primariamente, se pode lutar contra a corrupção a partir do fundo, dando aos cidadãos as ferramentas para operar como "olhares cívicos...

Guia aos protestos 2015: objetivos, usos e consequências 

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Com certeza o fato que centenas de milhares de pessoas manifestaram a própria voz é um bom sinal de democracia, especialmente em um país onde ainda é imperfeita. Coerentemente, os ministros J. Cardozo (Justiça) e M. Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) disserem, em uma coletiva em Brasília, que o governo tem disposição em "ouvir as vozes das ruas e está sempre aberto ao diálogo”. Tomara. Para a democracia.  Porém os protestos não são uma novidade na história do país, como alguns gostariam marcar. A única verdadeira novidade se encontra na pauta dos protestos, que simplesmente não existe: impeachment? Corrupção? Crise econômica? Ou seja, de fato não existe nenhuma reivindicação político-social especifica, organizada e coesa, visada a um objetivo determinado, a não ser uma indiferenciada e desagregada rejeição ao PT, que, porém, ganhou as últimas eleições. Essa incongruência democrática chamou muito a atenção da mídia internacional, que destacou a matriz classista dos ...

Porque as mulheres bebem tanto?

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A porcentagem de mulheres que ingerem grandes quantidades de álcool tem aumentado pelo menos duas vezes mais rápido que entre os homens. Essa é a conclusão do último levantamento do Ministério da Saúde, que abordou o consumo abusivo de bebidas alcoólicas. Para o MdS, consumo abusivo de bebida alcoólica é aquele que ultrapassa, para homens, cinco ou mais doses numa mesma ocasião em um único mês ou, para as mulheres, quatro ou mais doses. Preocupante é o aumento da “bebedeira” entre mulheres mais jovens. Um estudo que reúne dados de mais de 500.000 pessoas indica que mulheres com idade entre 21 e 23 anos são o único grupo cuja bebedeira aumentou. Muito preocupante. As diferenças físicas entre homens e mulheres desempenham um papel importante na maneira como o corpo processa o álcool. As mulheres têm mais gordura e menos água em seus sistemas, bem como níveis mais baixos de uma enzima importante na decomposição do álcool. Isso significa que elas experimentam os efeitos da bebida ...

Contra os bloqueios e contra a corrupção

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Com essa coluna quero dar voz a quem, que nem eu, é contra a corrupção, seja contra os bloqueios dos motoristas, conseguindo, com um mínimo de entendimento e equilíbrio emocional, dar-se conta que:  Corrupção, insatisfação política e reivindicações dos motoristas são questões que não têm pertinência, coerência e correlação direita um com o outro e associá-las ativamente à mesma causa, até chegar ao ponto de auto prejudicar-se, é algo, além do que dramaticamente “simplório”, profundamente perigoso para o sistema país e para a mesma instituição da democracia, e já explico porque:  Greve e motoristas : as reivindicações dos motoristas são assuntos técnicos específicos de uma categoria de trabalho. O valor do frete é um acordo empresarial dentro da dialética padrões-autônomos, baseada em lógicas de mercado. Os valores não subiram até agora porque a quantidade/oferta de pequenos transportadores autônomos aumentou muito, reduzindo obviamente o valor de mercado, seja porq...

Protestos, diálogo e regime

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Uma das características peculiares e fundacionais dos regimes é a falta de diálogo. Nos regimes não tem e não tem que ter diálogo. Esta “conditio sine qua non” se obtém e mantem através de medidas, quais a censura, repressão, perseguição, exclusão e assim por diante, sustentadas e fortalecidas de dimensões de valor e emocionais, quais conformismo, medo e moralismo. Os regimes constituem-se de um dúplice eixo: tem um lado social, que se manifesta em superfície nas organizações das dinâmicas de grupo, e um lado mais profundo, individual, que se vivencia em termos de rigidez ou abertura intelectual e/ou emocional. Me pergunto: quanto o Brasil é um regime e quanto uma democracia? Em que ponto do caminho dessa evolução estamos? Aliás, tem um caminho? Por exemplo: Lado social: os protestos dos caminheiros. As principais reivindicações são econômicas. Os sindicatos e associações dizem que o aumento no preço dos combustíveis reduz o frete, o valor pago aos caminhoneiros pelo tra...

50 tons de mulheres

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Nos últimos 50 anos a mulher está sendo protagonista, às vezes ativa, às vezes passiva, de um processo, tão radical quanto dramático, de transformação da mesma representação de mulher, seja respeito aos valores, espelhos da própria identidade pessoal, seja respeito ao posicionamento de si mesma entre os desafios sociais.  Esses aspetos são os que basicamente medem os comportamentos e as regras, explícitas e implícitas, de relação entre mulheres e homens em campos como família, trabalho, dinheiro e, obviamente, sexo.  Por milhares de anos a mulher foi moldada pelo homem como produto doméstico finalizado à garantia da continuidade da linhagem e do patrimônio através do matrimônio: um artefato cultural e um dispositivo, isto de continuidade social chamado de família, fortalecido das forças convergentes do mercado e da Igreja Católica. Significa que a mulher aprendeu e se acostumou a determinar-se enquanto emanação do homem e, consequentemente, a não ter direito não sim...

Daqui a 40 anos prevalecerá a Bissexualidade

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Premissa: o ser humano é um produto de dois eixos inextricáveis e constitutivos da sua essência e identidade, analogamente a uma molécula de DNA. Estes constam em: a natureza, ou seja, instintos, pulsões, características espécie-específicas etológicas e a cultura, ou seja, a introjeções das soluções e dos artefatos culturais produzidos dos mesmos seres humanos para maximizar a sobrevivência em uma determinada fase histórica e contexto. Dependente de como interagem plasticamente natura e cultura, o ser humano se torna o que é, onde e quando é.  Esse conceito bio-psico-antropológico também se aplica à sexualidade. Por exemplo, heterossexualidade e homossexualidade são duas maneiras culturais e não naturais de definir o ser humano. Essa repartição desenvolve-se a partir de outro artefato cultural que é a introdução da diferença entre masculino e feminino, algo funcional a fornecer fundamentos para outra invenção/solução cultural que é o conceito de família, que foi a solução so...