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Ciume e ciumes: quando a solução se torna o problema

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De acordo com um estudo canadense, o ciúme, ou seja, a sensação de exclusividade do outro que implica antipatia, desconfiança ou hostilidade contra terceiros, vistos como concorrentes potenciais ou reais, está em segundo lugar no ranking das maiores dificuldades entre as situações conjugais. Mas se uma quota moderada de ciúme também pode ser considerada uma forma de amor, além de certo limiar torna-se destruidora para quem a age e quem a sofre: "Com quem está no facebook?", “Estava on-line no whatsapp!” “Fala a verdade que não estava no futebol/com as amigas?", etc. O ciumento(a) faz da sua própria vida e a do parceiro um inferno real. Entre paixão e suspeito, paranoia e posse, inveja e culpa, o ciumento destrói o casal e si mesmo. Tanto é que o ciúme tem dois aspetos que coincidem com as síndromas patológicos, ou seja, ao mesmo tempo, é uma forma de defensa (competição) e de ataque (controlo).  Para encurtar o ciúme, então, e não o deixar “matar-nos” é importante c...

Antropologia do carro e estacionamento rotativo em SMO

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Como já levantei em outras colunas para entender um povo, se pode começar observando três comportamentos. A maneira como: constrói e vive a casa, joga a futebol e usa o carro. Já abordei arquitetura e futebol. Sobre “o carro” como espelho da cultura especifica dessa região, bem nesse momento histórico, apontamos três aspetos: o valor que as pessoas atribuem ao carro; a educação e competência em dirigir, no transito, e o impacto civil no planejamento urbanístico e normativo, ou seja, a questão do estacionamento rotativo. Que o significado e o valor do carro mudou de simples meio de transporte a status-symbol, com todos os seus sentidos sociais e psicológicos, é algo bastante normal em todas as sociedades capitalistas que, continuamente e constantemente, precisam redefinir os seus marcadores classistas de sedução e poder. Não tem muito sentido, portanto, moralizar essa atitude consumista ao carro. Inclusive a maneira exagerada de valoriza-lo depende da rapidez exagerada das mudanç...

SE DEUS QUISER

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As palavras expressam muito mais do que dizem. E nestes dias de muitas reuniões recorre assiduamente um jeito de dizer que chama fortemente a minha atenção, mesmo porque, enquanto profissional do "ser humano", sempre tinha paixão para as religiões e, por isso, fiz 5 anos de teologia na Universidade Católica de Milão. Então, perto do Natal, acho que vale a pena gastar uma reflexão sobre o: “Se Deus quiser"! Do ponto de vista cultural, o “se Deus quiser” parece uma posição clara na disputa teológica milenária entre predestinação, livre arbítrio e responsabilidade do homem, cumprida com si mesmo e os outros. Em particular parece apoiar a visão iper-calvinista de um mundo já totalmente alocado por vontade de Deus. Dele dependeria totalmente tudo o que acontece: um destino abrangido entre fatalismo e predeterminação. Uma abordagem a vida deindividualizante e deresponsabilizante; "visão cultural" que aqui parece ser ratificada por outras gírias recorren...