Protestos, diálogo e regime
Uma das características peculiares e fundacionais dos regimes é a falta de diálogo. Nos regimes não tem e não tem que ter diálogo. Esta “conditio sine qua non” se obtém e mantem através de medidas, quais a censura, repressão, perseguição, exclusão e assim por diante, sustentadas e fortalecidas de dimensões de valor e emocionais, quais conformismo, medo e moralismo. Os regimes constituem-se de um dúplice eixo: tem um lado social, que se manifesta em superfície nas organizações das dinâmicas de grupo, e um lado mais profundo, individual, que se vivencia em termos de rigidez ou abertura intelectual e/ou emocional. Me pergunto: quanto o Brasil é um regime e quanto uma democracia? Em que ponto do caminho dessa evolução estamos? Aliás, tem um caminho? Por exemplo: Lado social: os protestos dos caminheiros. As principais reivindicações são econômicas. Os sindicatos e associações dizem que o aumento no preço dos combustíveis reduz o frete, o valor pago aos caminhoneiros pelo tra...