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COMO TU PODES TER FALTA DE ALGO QUE NUNCA TEVE? -História de um diálogo em transição.

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O Brasil está vivendo uma fase de transição cultural. Significa que os velhos modelos não funcionam mais; para uma boa parte da população esses padrões não são mais atuais e nem sequer reconhecidos como certos. Porem tem inércias e resistências que ainda fazem que estejam perpetrados. Inclusive porque ainda não se consolidaram, e as vezes nem criaram, modelos substitutivos novos. Essa fase da mudança, onde o velho não funciona mais e o novo demora para tomar conta, é geralmente muito perturbadora e sofrida, seja de um ponto de vista social que psicológico: intimo. A maior razão em culturas coletivas onde as pessoas não estão acostumadas a ficar sozinhas, no vazio ou conceber-se como protagonistas ativas de si mesmas e dos próprios contextos, demandando o próprio destino (presente e futuro) aos pais, ao estado ou a Deus.  Essa não é teoria. Essa fase fase de transição brota na pele das pessoas, e as vezes a rasga, todos os dias e em vários campos.  Vou fazer um exemplo...

O casamento e a revolução do papa Francisco

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Começamos de um pressuposto: a célula constitutiva da nossa sociedade é a família. Isso é tão enraizado na história e nos neurônios da gente que se eu perguntasse para qualquer um de vocês quais são as coisas que mais “tem valor” na vida, com quase certeza você responderia: saúde e família. Não é verdade? E o que define e confere o reconhecimento de estado de família na nossa sociedade é o casamento. Mas o que é, de verdade, um casamento? Qual o seu significado? Quais as suas razões e funções culturais e estruturais para a manutenção da nossa ordem social, assim como a conhecemos e vivemos? Basicamente no momento em que, com o desenvolvimento da agricultura, da criação dos bichos, etc., os bens começam a ser acumulados, nasce a propriedade e o problema da sua transmissão por herança. Se tornou logo necessário, por isso, garantir que os filhos, que receberiam as propriedades (e o nome) dos homens produtivos pertencessem, sem sombra de dúvidas, a eles mesmos e não a outros homens,...