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O direito de ter direito

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Desde que moro no Brasil, a lista de ocorrências para me passar a perna e lucrar dinheiro, mais do que extensa é virtualmente interminável: acordos e contratos não respeitados, palavras não cumpridas, valores aumentados de repente, cobranças absurdas, multas injustas, etc. Tudo por dinheiro. Dinheiro, dinheiro, dinheiro: danado, sujo, imediato. Calculei que em pouco mais de um ano o dinheiro “jogado fora” (perdido? subtraído?) por não ser “experto” com “essas atitudes” para que não estava preparado é mais ou menos de 70 mil reais . De fato, paguei um Mestrado em "jeitinho e malandragem". Em relação a isso, vivi três etapas. Na primeira, que poderíamos chamar de "paranoide", atribuía estes comportamentos diretamente ao fato de ser estranho e estrangeiro, conforme ao cliché de leigo e rico: ou seja, que não sabe, que passa, que vai embora e traz euros. Lembro uma vez em que comprei uma planta para um casal de pacientes. 24 reais o valor exposto na placa, rigo...

A minha Res-Publica

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Esta é uma reflexão. Não uma crítica. O pretexto decorre do fato de que o serviço público onde, além do consultório, trabalho fechou nessa semana ao meio-dia para que nos funcionários pudéssemos comemorar o aniversário de um colega. Vocês diriam: e daí? O ponto é que, geralmente, o serviço, que repito é público, não fecha neste horário sendo que oferece aos seus utentes o almoço, grande auxilio para eles. Bom, sendo que o valor da troca de ideias me importa muito mais do que ser julgado "chato", declarei a minha perplexidade: "Para mim não está certo! Estamos afetando uma coisa pública, para um propósito particular". As reações me deixaram por um lado surpreso, por outro me induziram a pensar. "Mas imagina, como poderemos se não nos encontrar-nos? À noite, temos outras coisas para fazer. É o único momento em que todos ficamos disponíveis!”; ”É normal, todo mundo faz isso. O prefeito mesmo participa e nunca disse nada"; "Mesmo o cancelamos qua...

Brasil e Itália: a corrupção como tradição

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Corrupção e impostos são dois temas quentes, sempre discutidos com grande efervescência entre um chima e uma gelada. Em ZF, com certeza, desenvolveremos os dois a partir de diferentes perspectivas. Hoje, o caso Pizzolato nos oferece a oportunidade para começar a dissecar o primeiro: a corrupção. Em primeiro lugar é preciso dizer que não é uma coincidência que o ex Dir. Mkt. do BB condenado no mensalão fugiu bem na Itália, assim como os italianos do pós-guerra fugiram no Brasil. Os dois países do ponto de vista sociológico, político e cultural são muito semelhantes em termos de corrupção, tanto que no último relatório do Transaprency Internacional os dois países figuram respectivamente no 69° e 72° lugar entre 176 países, ambos lamentavelmente lanternas traseiras das assim faladas democracias civis. Nesse sentido, é importante destacar como o mesmo "sistema-democracia" foi desenvolvido justamente para responder ao problema (introduzido do filosofo Rousseou) de como ...

A Praça é nossa

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Do ponto de vista antropológico a maneira como o ser humano ocupa o espaço é um dos aspectos mais fascinantes da sua história de vida social. Os lugares falam sobre quem os habitam e os alteram em uma contínua estratificação de mudanças, sinais, valores e significados. Em particular a praça fala da cidade. Ainda mais, tecnicamente é a sua origem. Historicamente as cidades nasceram como extensão da mesma praça, espaço encruzilhado de afluência em função de uma feira, em um progressivo aumento de exigências e construções ao seu redor (a diferencia das comunidades onde a origem/base é a propriedade fundiária e depois vem criado um lugar de encontro). A praça é o centro desta realidade: bem no centro, também por razões de segurança (assim que o ladrão não pudesse escapar); o lugar do desenvolvimento da vida pública; deposito arquitetônico e simbólico de sinais históricos e valores fundamentais da mesma concepção civil (poder, religião, comercio). É espaço aberto: para encontros, escam...

"DEIXA EU TE CONTAR. FIQUEI SABENDO ..."

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Nasci em Milão: uma grande cidade, com alma, valores e regras típicas de uma metrópole europeia. Escolhi viver aqui no Oeste, com a disponibilidade para compreender as especificidades culturais desta região e do seu povo; para aceitar, respeitar e fazer minhas as diferenças que me podem melhorar e superar com paciência aquelas que me podem abater. Entre essas características culturais, há uma, que abrange a grande diferença entre a realidade de uma cidade grande (aberta) e uma pequena de vilarejo (fechada), no entanto, que, para mim, milanês e até mesmo de formação católica, ainda permanece um desafio difícil: uma realidade, um comportamento, uma diferença, que ainda tenho que concertar. Um habito muito estranho. Refiro-me ao uso sistemático, contínuo e estratégico da FOFOCA . Claro que, como antropólogo, bem entendo a sua função evolutiva. Todas as comunidades dividam-se em duas categorias de pessoas: os falcões e as pombas. Os Falcões são aqueles que conquistam riqueza e ...

As 5 razões para afirmar que o gigante ainda não se acordou

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O Gigante acordou? Esta é a pergunta que reverbera e salta com grande paixão e entusiasmo dentro dos limites de quase todo o Brasil, ou pelo menos na parte mais avançada tecnologicamente e acostumada com o uso da Internet e, acima de tudo, facebook e redes sociais em geral (que, como veremos, têm um papel fundamental na determinação dessa onda de manifestações e protestos). Uma paixão (entusiasmo) juvenil, deslumbrante, abrangente; uma paixão daquelas que como um amor de verão, você parecia esperar por toda a vida e que quando te possui, você quer grita-la para todos, muito além das fronteiras do próprio estado (e país), porque nada é mais importante, forte e correto desse novo sentimento, nada vai absorver e captar de maneira tão intensa e rápida, que depois, como todo o bom amor de verão, vai embora, naturalmente, uma vez que as férias terminam e se volta para a vida cotidiana de sua própria casa. Mas o que exatamente está acontecendo? Como ler e interpretar essa onda de ma...