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Ser (brasileiro) e Tempo (virtual)

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Tem um traço brasileiro que sempre impacta dentro de mim, enquanto discrepante diferença cultural respeito a dimensão europeia, pragmática, calvinista ou judaico-crista que seja, que caracteriza o assim chamado “mundo ocidental”. Esse marco é a relação entre identidade e tempo.  Para os “ocidentais”, filhos de Cristo, o presente [2] é um elo de ligação entre o passado [1] (orçamentos, balanços, memória) e o futuro [3] (objetivo, planejamentos, propósitos). O EU é uma função temporal linear [1-2-3!] entre culpa e expiação; declarações e provas, morte e contínuos novos nascimentos. O Deus cívico é o resultado. O principio fundante a concretude no encerro da sequencia. O campo de atuação e desenvolvimento de identidade é o trabalho/mercado.  Já na cultura oriental o tempo não é sequencial mas cíclico [1-2-3-1-2-3-1…]. O EU, no sentido indivíduo, por isso, não existe. O que existe é uma parte dentro o tudo: um EU-ALEM, função do transcendente. Por isso a forte espirituali...

Ser homem hoje: the mask you live in

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“Não chore”. “Não seja Mulherzinha”. “Seja homem”. “Seja macho”. Quanto é complicado hoje ser homens?  Nesses dias tive a sorte de assistir, de maneira privilegiada, algo que, mais do que um filme, é um verdadeiro movimento, inclusive pelo fato que está sendo produzido por meio de um auto patrocínio, muito em auge o mundo do espetáculo, chamado crowdfunding (ou seja coleta de fundos) e, sendo assim, ainda não está terminado. Estou me referindo a um documentário com titulo em inglês “the mask you live in”, ou seja “a mascara em que você vive dentro”. De fato se trata de uma reflexão sobre como es tamos prejudicando de um ponto de vista educativo e evolutivo os nossos filhos homens.  O ponto de partida é um perspectiva para avaliar como as expectativas culturais, e a consequente desigualdade entre os genros, afeta e pesa sobre a evolução dos homens nessa fase da contemporaneidade global.  O que acontece quando os modelos educativos baseados sobre ideias de ge...

A chantagem dos pais

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Duas premissas: o vínculo emocional entre pais e filhos é o amor primitivo, constitui para todos a principal forma de amor e se torna a matriz de todas as experiências sentimentais futuras. E o amor parental e filial tem característica única na vida de cada ser humano, que vem realizando-se entre indivíduos que não se escolheram um ao outro: os pais (quase sempre) decidem conceber, e, inevitavelmente, colam no filho alguns ideais e muitas expectativas; os filhos, no entanto, nascem e ponto: de fato eles não escolheram e muitas crianças levam uma vida inteira para aceitar seus pais para o que eles são. Ao mesmo tempo, as competências parentais que pressupõem a capacidade de amar incondicionalmente uma criança, para fornecer o cuidado, proteção e carinho necessário para criar um adulto saudável e autônomo, não são propriedades genéticas, mas o resultado de equilíbrio e conscientização dos pais. Como todos os estereótipos sociais, é generalizada uma representação que os pais ...

Vir ao mundo não é suficiente para nascer (a relação com os pais)

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Aprendi que não é suficiente vir ao mundo para nascer.  Se nasce quando se encontra o próprio EU. Se evolui quando se aprende a morrer e renascer continuamente. Princípio que vale desde o começo. A partir da relação com os pais. Porque a relação afetiva e o vínculo emocional entre pais e filhos constituem o amor primário. As experiências sentimentais sucessivas, de fato, reproporão esse esquema matriz. O problema é que, frequentemente, já se começa com o passo errado. Muitos filhos vêm, desde o nascimento, cobrados por uma chantagem afetiva e/ou, desde já, usados como banco genético para salvar a própria imagem ou casamento. Isso se enraíza logo sem nem dar-se conta. Quantos filhos aceitam o conceito de: “eu te botei no mundo, então… tu me deves respeito, obediência, etc. Eu mando”. Nada de mais errado. O sentimento mais importante que uma criança tem que desenvolver é a autoconfiança, a qual tem a sua base na aprovação dos pais. O que ocorre somente quando...

A Maçonaria Parla com ... (Deny)

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Semana importante para a Maçonaria local. Na segunda-feira (3) o programa Parla com Deny, que irá ao ar às 20h pela Rádio 103 FM, abordando “mistérios e segredos” que envolvem a Maçonaria. Estarei conversando com os maçons Renato Poletto, Sandro Valmorbida e Ayrton Favero, procurando aprofundar a compreensão sobre essa Instituição.  Também será proporcionada a palestra com ingresso livre, intitulada “O que você tem a ver com a corrupção?”, que acontecerá no dia 07/08/15, as 19:30 horas no CTG Porteira Aberta, sendo palestrante o Promotor de Justiça Dr. Pablo Sinhori. Bem, no aguardo dos dois eventos, o que um profano como eu poderia inferir sobre a Maçonaria, partindo de leituras sobre o assunto? Como desenredar-se entre lendas e teorias de conspirações, mitos, fatos históricos e interpretações simbólicas, significantes, sinais, ocultismo e mídia? Como entre Zeitgeist, filosofia, ontologia, história, economia, poder e política? Quais as origens? As finalidades?  ...

Insatisfação: por quê?

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Há muito tempo que trabalho como psicólogo. Mais do que 15 anos. Especializei-me em diferentes linhas de trabalho e técnicas metodológicas porque, me parece óbvio, cada situação e problema tem que ter a sua resposta e solução específica. Cada pessoa é única. Cada realidade e sistema tem um desenho original, sem possibilidade de cópias. Porém, a base, o papel sobre o qual a obra de arte (o indivíduo, a pessoa, a família) pega forma, em determinadas fases, é a mesma para todos: se chama cultura. A cultura produz e reproduz linguagens, soluções, recursos, vínculos, limites e desafios através dos quais o indivíduo-sistema levanta o cômpito a existir. O mandato é sempre o mesmo: sobreviver, encontrar-se, reconhecer-se, ganhar o direito de amar e ser amado. Alguns a chamam de felicidade. Outros de graça. Poucos de paz. Entender a cultura do tempo (o famoso Zeitgest, dos filósofos) é fundamental para ajudar as pessoas a existir, superando seus problemas e dificuldades. Ao mudar da cultur...

Antropologia do supermercado - Capítulo 1: a competência emocional

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O supermercado é um templo privilegiado para observar e especular sobre as matrizes culturais subjacentes aos comportamentos e as dinâmicas individuais, familiares e grupais que, justamente, nesse “não-lugar”, como o definiria Marc Augé, vem expostas, produzidas e reproduzidas de maneira extremamente evidente.  Veja só.  Ontem. Meio-dia. Estava com pressa. Agenda lotada. Tinha tudo sincronizado. Mas como renunciar ao meu chocolate? Admito: sou chocólatra. Entrei. Comprei. Fui. Mas, já na rua, o deslumbramento. O chocolate estava com a embalagem aberta. Beleza. Pode acontecer. Quem sabe como vem transportados e/ou conservados esses produtos? Quantas excursões térmicas sofrem? Entre quantas mãos passam? Etc. Bom, voltei. Ainda com maior afobação. Rapidamente avisei a atendente que ia trocar o produto. Já deixei a nota fiscal e me atirei entre corredores e prateleiras. Na saída, mostrei o produto, agradeci e fiz para voltar velozmente ao consultório. Não gosto de a...

Redução maior idade penal - POR QUE?

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4 propostas de emenda constitucional no senado, 27 propostas no Congresso Nacional, outros 4 PECs e 19 projetos na Câmera dos deputados. Todo esse “trabalho” político para uma única pauta: a redução da maior idade penal. E a seguir pesquisas, reportagens nos medias, debates públicos, ativações e movimentos populares, etc. Eu, que não entendo nada, tenho somente uma pergunta:  POR QUE?  POR QUE uma proposta do 1993 (PEC 171/93) está retomando tanto clamor agora?  POR QUE uma questão tão pouco significativa respeito aos verdadeiros, profundos, congênitos problemas do País, a dos adolescentes em Conflito com a Lei, que envolve apenas o 0,5% dos jovens do Brasil (dados CNACL), parece agora uma prioridade absoluta e urgente? POR QUE esse tempo gastado nas “casas” políticas e mediáticas (Congresso, Câmera, Senado, TV, etc.) não vem utilizado para resolver problemas como a reforma política, a desigualdade social, a corrupção, a falta de transparência n...

O casamento e a revolução do papa Francisco

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Começamos de um pressuposto: a célula constitutiva da nossa sociedade é a família. Isso é tão enraizado na história e nos neurônios da gente que se eu perguntasse para qualquer um de vocês quais são as coisas que mais “tem valor” na vida, com quase certeza você responderia: saúde e família. Não é verdade? E o que define e confere o reconhecimento de estado de família na nossa sociedade é o casamento. Mas o que é, de verdade, um casamento? Qual o seu significado? Quais as suas razões e funções culturais e estruturais para a manutenção da nossa ordem social, assim como a conhecemos e vivemos? Basicamente no momento em que, com o desenvolvimento da agricultura, da criação dos bichos, etc., os bens começam a ser acumulados, nasce a propriedade e o problema da sua transmissão por herança. Se tornou logo necessário, por isso, garantir que os filhos, que receberiam as propriedades (e o nome) dos homens produtivos pertencessem, sem sombra de dúvidas, a eles mesmos e não a outros homens,...

Ensino supeior: que valor para o futuro?

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Porque inscrever-se a universidade? Por paixão para a disciplina a aprender? Para o prestígio social de um título? Para aspirar a salários mais elevados? Sem dúvida, o sistema de ensino no Brasil é uma das questões sobre a qual valeria mais a pena fazer uma pausa para refletir e discutir. Por exemplo, as universidades privadas, a partir dos anos '70, sob a moldura da Lei de Diretrizes de Base (LDB) de ’61 e da Reforma Universitária de '68, têm conhecido no Brasil três grandes ondas de expansão. Entre 60 e 80, o número de matrículas passou de 200 mil para 1,4 milhão, em um crescimento de quase 500% e no setor privado de mais de 800%. A Constituição de 88 reiterou o princípio liberal do ensino privado, libertando-o do controle do CFE (Conselho Federal de Educação) e desde aquele momento ao ’96, as universidades particulares, sob o controle de alguns grandes grupos estrangeiros dos quais 36 de capital aberto, triplicaram, até cobrir hoje o 75% do ensino superior em geral e ...

Crônica, sociedade e sentimentos

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Estupros de menores, mortos por acidentes, violência doméstica, roubalheira escancarada, e assim por diante. Todos os dias as notícias de crônica nos mostram duas realidades das atitudes humanas, quase evocando o terceiro princípio dinâmico da física clássica: de um lado, do que o ser humano tem capacidade a atuar; de outro de como o redor reage. Surpresa? Indiferença? Fascino? Atração? Rejeição? Apatia? Qual é o estado da educação das emoções e dos sentimentos com que nós e os nossos filhos reagimos a tudo isso?  A emoção é uma experiência pessoal, baseada sobre a sensação; é algo básico, individual: raiva, prazer, desconforto. O sentimento, diferentemente, é uma evolução da emoção por meio da ação do pensamento; algo que tem a ver com os outros: a compaixão, o reconhecimento, a gratidão, o amor. Portanto, ser capaz de ter sentimentos não é algo herdado, que se transmite geneticamente, mas é aprendido através da capacidade de reconhecer as emoções e orientá-las co...

Além do câncer - O sorriso de Elisa

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“ Não. Hoje não. Hoje tem formatura. Não posso não ir. Não quero. Hoje quero viver ”. Assim reagiu Elisa Cristina Fritzen, jovem mulher de 30 anos, quando o médico, com olhar baixo e voz débil, comunicou para ela que tinha que começar imediatamente, bem naquele mesmo momento, a quimioterapia, senão não teria garantido mais do que um ano de vida. “ Como assim? Mais uma vez? O calvário não terminou quando, por um câncer, removeram meu útero em 2012, tirando-me o sonho de me tornar mãe? ” Mas essa vez não. O câncer não teria acuado ela. Elisa tinha amigos a esperando. Tinha pintado o lindo cabelo frondoso para chacoalhá-lo ao vento e ao ritmo da música. Queria dançar. Queria usar aquela camiseta que estava de olho faz tempo na loja em que trabalhava como vendedora e que, finalmente, tinha conseguido comprar. Amarela. A sua cor preferida. A que combina e destaca os seus grandes olhos claros, brilhantes e felizes como um dia de verão. Elisa, bem naquele instante, se deu...

Amor por dinheiro e dinheiro por amor

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Vivemos uma época muito material. E o dinheiro não se limita a regulamentar o posicionamento social, mas também o afetivo. Especialmente aqui.  Mas nem todos tem uma boa relação com o dinheiro. Para algumas pessoas, por exemplo, gastar o dinheiro, para si ou para outros, pode ser uma fonte de angústia. Atrás da chamada "avidez", se pode na verdade esconder um distúrbio psicológico real.  O apego ao dinheiro tem raízes profundas, que aludem a necessidades infantis não satisfeitas que se tornam traumas nos adultos. Na base, há fortes sentimentos de sofrimento: o “pão-duro” pode ​​ter sido privado de algo menos material, mas muito importante para ele: o carinho.  Pode ter vivido em um ambiente familiar caracterizado pela frieza emocional, por regras e disciplina. Em tal clima, pode não ter tido a oportunidade de aprender o valor do dar, sendo este um valor que se adquire pela criança quando os pais aceitam e vivem o filho como dom, em primeiro lugar. Portanto se...

SE DEUS QUISER

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As palavras expressam muito mais do que dizem. E eu, cívico, laico e que fiz cinco anos de teologia na Universidade Católica de Milão, sempre estremeço ao escutar a locução “se Deus quiser”, usada em cada frase, para finalizar qualquer assunto. Culturalmente, o “sDq” parece uma posição clara na disputa teológica milenária entre predestinação, livre arbítrio e responsabilidade do homem, com si mesmo e os outros. Em particular, parece apoiar a visão ultracalvinista de um mundo já totalmente alocado por vontade de Deus. Dele dependeria totalmente tudo o que acontece: um destino abrangido entre fatalismo e predeterminação. Algo que tira a responsabilidade do homem para as suas ações e a determinação dessas sobre os efeitos, individuais ou sociais que sejam; essa abordagem à vida parece ser ratificada por outras gírias recorrentes, tais como “pois é” e “fazer o quê?”, que legitimam resignação, respeito a uma realidade independente ou superior à própria vontade e determinação e reforç...

Facebook e o fim do relacionamento

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Mais de 20% dos casais que se separam hoje justificam a decisão pelas mensagens incriminadoras descobertas no Facebook. Faz tempo que as redes sociais entraram em nossas casas, mas será que são mesmo um perigo para os relacionamentos amorosos? Hoje em dia não existem mais desculpas para não saber como usar o Facebook sem ser descobertos, se vocês realmente querem trair seu parceiro. Todos conhecem as configurações de privacidade, certo?  Mas vamos um passo atrás. Há um casal que está junto há anos, a idade não importa, dizem as estatísticas. Mesmo o sexo não conta. Ele regularmente volta para casa no fim do dia e, em seguida, liga o computador. Vê as fotos de uma pessoa fascinante, clique um “curtir” e troca palavras em público. No dia seguinte, a mesma cena. A troca em público desliza em uma mensagem privada, e continua assim por vários dias. Talvez os dois param em declarações platônicas e nunca se reunirão na vida real, mas mesmo assim, aquele casal que parecia tão só...