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O dom do presente

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Hoje um pensamento simples, talvez óbvio, mas nunca banal. Ou, pelo menos, que nunca deveria se-lo, por distração ou indiferença. Nestes dias todos nós temos o coração cheio: de família, encontros, presentes e alimentos. Eu também estou viajando para isso: abraçar os afeitos, para o Natal, cujo significado é próprio “dom”. Mas cada vez, no avião, acontece sempre uma situação que me impressiona e dói. Talvez seja porque incluído no bilhete, as pessoas quase nunca recusam a bandeja de comida, mesmo que meixam pouco ou nada. E logo, como águias, chegam as aeromoças que, sem nenhuma cerimônia, jogam tudo fora, água e muita comida, mesma a longa validade e já embaladas. E o meu pensamento corre sempre para os problemas da fome, hoje mesmo atrozes. Cresci ouvindo as historias de guerra, cenas de terríveis de privação e humilhação. Um ex- prisioneira dos campos nazistas me contou de um homem, desprovido por causa da fome de qualquer esperança e humanidade, que perto dela matou ...

SE DEUS QUISER

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As palavras expressam muito mais do que dizem. E nestes dias de muitas reuniões recorre assiduamente um jeito de dizer que chama fortemente a minha atenção, mesmo porque, enquanto profissional do "ser humano", sempre tinha paixão para as religiões e, por isso, fiz 5 anos de teologia na Universidade Católica de Milão. Então, perto do Natal, acho que vale a pena gastar uma reflexão sobre o: “Se Deus quiser"! Do ponto de vista cultural, o “se Deus quiser” parece uma posição clara na disputa teológica milenária entre predestinação, livre arbítrio e responsabilidade do homem, cumprida com si mesmo e os outros. Em particular parece apoiar a visão iper-calvinista de um mundo já totalmente alocado por vontade de Deus. Dele dependeria totalmente tudo o que acontece: um destino abrangido entre fatalismo e predeterminação. Uma abordagem a vida deindividualizante e deresponsabilizante; "visão cultural" que aqui parece ser ratificada por outras gírias recorren...

LIGAÇÃO ENTRE NATAL, CONSUMISMO E DEPRESSÃO - O ASPECTO PSICOLÓGICO

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Na semana passada vimos como o Natal tornou-se consumismo. Hoje do porquê desencadeia tristeza. Vamos começar por dizer que o desconforto de Natal é um verdadeiro mal-estar reconhecido na área clínica como Christmas Blues. Um estudo americano, em 1981, demostra que os estados internos mais estressantes durante este período são o sentimento de solidão, a sensação de falta de uma família, o surgimento de memórias e preocupações econômicas. Esta forma de depressão mostra afinidade com o que na psicanálise é chamada de "reação de aniversário" que explica como em algumas ocorrências de vida podem surgir sentimentos ou emoções aparentemente não de acordo com os acontecimentos atuais, mas em vez relacionados a eventos passados ​​ complexos ou problemáticos, que em seu tempo não foi possível desenvolver e, portanto, tendem a recorrer. É importante destacar como o Natal traz consigo uma alteração dos ritmos regulares da vida, o que expõe a estímulos incomuns: as interrupções ...

LIGAÇÃO ENTRE NATAL, CONSUMISMO E DEPRESSÃO – AS ORIGENS

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O que liga Natal, consumismo e depressão? Desenvolvemos o assunto em duas colunas consecutivas enquanto, pertencendo todos nós, é importante compreender. Hoje começamos abordando as verdadeiras origens do Natal e do seu aspecto de consumismo. No próximo a depressão e seus remédios. Vamos começar por dizer que o Natal é uma celebração reinventada. Do que hoje muitos se queixam, males e excessos, representam de fato a sua tradição mais genuína. Os valores cristãos e de família são recentes, chegaram depois. De fato, a história do Natal é uma história de conflitos de classe e religiosos. Dezembro sempre foi um período de férias importantes, relacionado com o solstício de inverno e com o final da colheita: período de grandes excessos e transgressões de comida, álcool e, graças à pausa forçada dos campos, de sexo. Hoje é um fato adquirido que a comida está disponível durante todo o ano, mas isso é verdade só para os últimos dois séculos. Antes que foram inventadas as geladeiras, deze...

Transtorno de Humor (sob encomenda)

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Hoje satisfazemos a leitora   E. Capra   que na página FB de ZF sugeriu nos falar sobre o Transtorno de Humor. Sendo que aproxima-se o Natal, período de forte risco para a sua detonação, achamos importante oferecer uma visão sobre o tema de forma simples e útil . Os T. de humor, também chamados de transtornos afetivos, são distúrbios de autoestima, ou seja, referentes a percepção do valor de si mesmos, que incluem duas categorias gerais: os depressivos e os bipolares. A depressão, em particular, é um mal comum e diabólico, apesar que nem sempre legitimado, que varia entre o 5% e 20% da população, com maioria entre as mulheres . Fatores que facilitam o seu estourar são: o sexo; a idade entre 35 e 45 anos; a história familiar de depressão e/ou alcoolismo; as experiências infantis em ambiente familiar destrutivo, hostil ou negativo; eventos recentes de perdas, mortes, quedas de papel social; falta de relações íntimas ou confidenciais; parto nos últimos seis meses. ...

Brasil e Itália: a corrupção como tradição

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Corrupção e impostos são dois temas quentes, sempre discutidos com grande efervescência entre um chima e uma gelada. Em ZF, com certeza, desenvolveremos os dois a partir de diferentes perspectivas. Hoje, o caso Pizzolato nos oferece a oportunidade para começar a dissecar o primeiro: a corrupção. Em primeiro lugar é preciso dizer que não é uma coincidência que o ex Dir. Mkt. do BB condenado no mensalão fugiu bem na Itália, assim como os italianos do pós-guerra fugiram no Brasil. Os dois países do ponto de vista sociológico, político e cultural são muito semelhantes em termos de corrupção, tanto que no último relatório do Transaprency Internacional os dois países figuram respectivamente no 69° e 72° lugar entre 176 países, ambos lamentavelmente lanternas traseiras das assim faladas democracias civis. Nesse sentido, é importante destacar como o mesmo "sistema-democracia" foi desenvolvido justamente para responder ao problema (introduzido do filosofo Rousseou) de como ...

E VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE ... (OU NÃO?)

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“ Você não mudou. Te deixo!” / “Você mudou. Te deixo! ” .... Amar-se não é suficiente para continuar a ficar juntos. Não é mesmo passar a vida inteira lado a lado, enfrentando e superando os principais desafios e as incertezas do amanhã e as pequenas dificuldades e inseguranças do dia a dia. Não o é construir uma própria casa: um espaço físico que recebe e protege; um espelho íntimo, que reconhece e define. Nem é suficiente, como era uma vez, hipotecar a continuidade, colocando no mundo um filho. Não hoje. Não mais.  Porque? O que mudou? Acontece que, hoje, diferentemente do que no passado, o mundo oferece todo um bacanal deslumbrante de possibilidades a serem urgentemente aproveitadas: “coisas”, identidades e destinos (assuntos que, as vezes, fundam-se e confundam-se uns com os outros).  O mesmo conceito de possibilidade torna-se um valor (O "Yes We Can "de Obama) que vai bem além das aberturas ao desenvolvimento econômico e cultural (negócios e estudos; compr...

A Praça é nossa

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Do ponto de vista antropológico a maneira como o ser humano ocupa o espaço é um dos aspectos mais fascinantes da sua história de vida social. Os lugares falam sobre quem os habitam e os alteram em uma contínua estratificação de mudanças, sinais, valores e significados. Em particular a praça fala da cidade. Ainda mais, tecnicamente é a sua origem. Historicamente as cidades nasceram como extensão da mesma praça, espaço encruzilhado de afluência em função de uma feira, em um progressivo aumento de exigências e construções ao seu redor (a diferencia das comunidades onde a origem/base é a propriedade fundiária e depois vem criado um lugar de encontro). A praça é o centro desta realidade: bem no centro, também por razões de segurança (assim que o ladrão não pudesse escapar); o lugar do desenvolvimento da vida pública; deposito arquitetônico e simbólico de sinais históricos e valores fundamentais da mesma concepção civil (poder, religião, comercio). É espaço aberto: para encontros, escam...

A RELIGIAO DO FUTEBOL

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Geralmente sustento que para ter uma ideia de um povo é suficiente prestar atenção a três suas expressões: a) A arquitetura b) O jeito de dirigir c) O futebol. Bem, hoje falamos de futebol, uma poderosa janela cultural sobre um povo. Exemplos? A Alemanha: terra fria; de mineras e guerras. A gramática de sua língua é rigidamente estruturada. Seu jogo eficiente, organizado e poderoso exatamente como os carros que produzem. No final, sempre chegam ao fim. A Itália? Terra de invasões, poetas e marinheiros. A sua semântica é rica e flexível. Arte e criatividade. O jogo? Todos fechados na defesa (os carcamanos) esperando o golpe de gênio mas sem ser capaz de finalizar (perde-se nos pênaltis). Enquanto psicólogo é um grande privilégio poder jogar aqui. Do campo se podem ver aspectos do “brasileiro” que nos livros não se podem ler. Para o brasileiro destaca-se, nesse caso, sua relação com o tempo e com o prazer. Para o ocidental, cristão, pós-iluminista, de fato, o present...

LEILOANDO O AMANHÃ

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Os olhos de todo o mundo estão hoje apontados com trepidação sobre o leilão do Pré-Sal. Uma ocorrência de impacto extraordinariamente crucial . Em jogo não há apenas grandes interesses económicos quanto o realinhamento do eixo geopolítico do mundo que, obviamente, segue o poder da alimentação energética. De fato o Brasil está vendendo seu petróleo para os “outros”. Por quê? O que está por baixo? Dívida? Corrupção? Incapacidade técnica? Consequência da crise diplomática com o bloco neoliberal do FMI por causa da dura tensão política (espionagem) coeva com os EUA e a necessidade de se ligar a China sem entrar no OPEP? Os números são impressionantes : reservas de 8 a 12 bilhões de barris de petróleo por uma área de 1500 Km. Investimentos de 185 bilhões US dólares em 35 anos; taxa de 5 bilhões de € a serem pagos ao governo, cujo pertencerá apenas o 40% do extrato; construção de 18 novas plataformas e 90 navios de apoio. O capital induzido pela Petrobras, financiado por meio de polít...

MAS QUE DROGA ...?!

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Não é por acaso que o Arcebispo do RJ abriu a JMJ endereçando-se para usuários de drogas, convidando-os a seguir a palavra de Deus, cuja casa também é deles; nem que a Dilma iniciou o seu mandado declarando de querer “combater as drogas com toda força, como se fosse uma guerra ". A “Questão Droga” é, de fato, o espelho de um país enquanto aglomera e envolve todas as forças civis de uma sociedade (Economia, Política, Justiça, Saúde, Educação, etc.). De como lida com isso mostra a sua força e sua alma. E o Brasil? Como está enfrentando esta guerra? Como aborda as suas três linhas de 1) A oferta. Ou seja, o tráfico. Frente Justiça; 2) A demanda. O uso. Frente Prevenção; 3) O tratamento. Frente Saúde: A partir dos dados, mais do que dramática, a situação é trágica. O BR é o primeiro país no mundo seja como consumidor que como exportador. E, prestam atenção, sem produzi-la. Isso significa, de fato, que o pais está nas mãos dos traficantes, que têm o poder de sacrificar a ...

"DEIXA EU TE CONTAR. FIQUEI SABENDO ..."

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Nasci em Milão: uma grande cidade, com alma, valores e regras típicas de uma metrópole europeia. Escolhi viver aqui no Oeste, com a disponibilidade para compreender as especificidades culturais desta região e do seu povo; para aceitar, respeitar e fazer minhas as diferenças que me podem melhorar e superar com paciência aquelas que me podem abater. Entre essas características culturais, há uma, que abrange a grande diferença entre a realidade de uma cidade grande (aberta) e uma pequena de vilarejo (fechada), no entanto, que, para mim, milanês e até mesmo de formação católica, ainda permanece um desafio difícil: uma realidade, um comportamento, uma diferença, que ainda tenho que concertar. Um habito muito estranho. Refiro-me ao uso sistemático, contínuo e estratégico da FOFOCA . Claro que, como antropólogo, bem entendo a sua função evolutiva. Todas as comunidades dividam-se em duas categorias de pessoas: os falcões e as pombas. Os Falcões são aqueles que conquistam riqueza e ...