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Cultura do estupro e silencio (Parliamo)

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O estupro e o assassinato da mulher são as formas extremas de sexismo e, apesar da Constituição, das leis, da Maria da Penha e dos valores alardeados da democracia, incarnam uma profunda, enraizada, cultura patriarcal que ainda resiste em reconhecer a mulher como uma pessoa.  A mulher ainda permanece nos neurônios culturais da maioria, incluindo infelizmente as mesmas mulheres, como uma função sexual e procriadora: é o corpo do prazer, do cuidado e da continuidade da espécie e do patrimonio.  De fato seja o cristianismo que o direito de família regulamentam isso. E os dois baseiam os seus arquitraves epistêmicos sobre a ideia da mulher enquanto ser sub-humano, frágil, a ser tutelado e defendido dos impulsos ruins.  A família, nesse sentido, alem de um dispositivo de garantia de transmissão da propriedade seria, também, um lugar/dispositivo de proteção para a mulher.  Mas a evidencia das crónicas diárias demostram que não é assim não. A mulher, encaixada em m...

A vida a suma zero. Parte 1. A economia

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Na “teoria dos jogos” e na “teoria economica”, um jogo de soma zero se refere a jogos em que o ganho de um jogador representa necessariamente uma perda para o outro jogador.  Tem uma pesquisa da organização Oxfam International que avaliou o seguinte: um seleto grupo de apenas 85 pessoas concentraria a mesma riqueza que os 3,5 bilhões mais pobres do planeta. A fortuna desses ricos seria de US$ 1,7 trilhão. Os 1% mais ricos do mundo concentrariam a metade da riqueza global. Para a Oxfam, dedicada ao combate à pobreza, o alto nível de desigualdade está relacionado à concentração de poder, que garante mais oportunidades aos mais favorecidos. A entidade cita pesquisas realizadas em seis países, inclusive o Brasil, que mostram que a maioria das pessoas acredita que as leis são distorcidas em favor dos mais ricos. Segundo o estudo, paraísos fiscais, práticas anticómpetiíivas e baixo investimento em serviços públicos estão entre os fatores que dificultaram uma melhor distribuição ...

Velhos mitos e desculpas

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Um meu velho professor inglês costumava me contar das experiências de guerra dele e do patriotismo de toda uma nação. "Éramos nós, sozinhos", ele me contava com fervor. "Somente nossa ilha contra o poder de Hitler." Sem nenhuma dúvida, trata-se de um momento glorioso. Mas há ressalvas. Primeiro, a frase "era a gente sozinha” esquece que, na época, essa "ilha" (o Reino Unido) ainda era dona de um império. E os milhões de súditos indianos? Também não é um momento que se pode tomar como representativo da política externa do país, pelo menos nos tempos de império. Foram séculos de conquistas e roubos. O verão de 1940, então, fornece uma base frágil para se construir um senso de patriotismo. Mas é típico das histórias que as nações contam sobre si próprias. E, às vezes, o mito acaba valendo mais do que a verdade. No Brasil, por exemplo, tem um mito que é contado todos os dias, e aceito como se fosse a verdade mais pura e incontestável. Imposs...

Luta ao cancer- tenis do bem para ganhar contra a vergonha

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Tem algo ainda por do que sofrer: por uma doença, uma traição, um abuso, um luto ou qualquer perturbação evolutiva ou traumática que seja.  Pior do que sofrer, são o medo e a vergonha de sofrer.  Quantas pessoas atingidas por esses sofrimentos acabam fechando-se, evitando relações sociais, fugindo do expor-se, do pedir ajuda, de informar-se para tomar providencia, auto-excluindo-se da sociedade e caindo presos no silencio de si mesmos? Quantos? E quantos familiares? Fugas na e da vergonha por meio de processos de negação ou entorpecimento produzem mais danos e prejuízos do que soluções. Obviamente. E sem subestimar o forte valor etipoatogenico (ou seja em desencadear doenças como causa determinante o correlacionada) que  vergonha, o silencio e o medo tem nas doenças psicossomáticas. E entre essas, a cima de tudo, podemos tranquilamente considerar o câncer.  O câncer é um problema de saúde pública mundial. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a A União ...

Rock n’ camarata, Smo e Eleições Municipais.

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Nessa semana, a Camerata Florianópolis, orquestra fundada pelo maestro Jeferson Della Rocca no 1994 e hoje um dos maiores grupos de referencia de género em SC e no Pais todo, (tanto é que chegou tocar com Steve Vai no Rock em Rio) prestigiou SMO com o seu show Rock N’ Camerata: uma fusion entre musica rock e orquestral. Sem duvidas um grande presente para nós e um show de reconhecido sucesso.  Agora, sendo que que acho importante começar a dialogar a partir de posições bem definidas, ou seja brancas ou pretas, sem as cores de cinzas populistas que deixam cada um entender o que quiser para alcançar aquela ilusão de interesseira ou confortante concordancia; posições claras porem não rígidas, recensearei alguns PRO e CONTRA que esse evento, enquanto espectador participante, me transmitiu e deixou:  PRO : A participação do publico. Aberta e madura. Não apenas muito numerosa mas até mesmo competente, ou seja não apenas atrás de novidades como souvenires de modernidade ou c...

COMO TU PODES TER FALTA DE ALGO QUE NUNCA TEVE? -História de um diálogo em transição.

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O Brasil está vivendo uma fase de transição cultural. Significa que os velhos modelos não funcionam mais; para uma boa parte da população esses padrões não são mais atuais e nem sequer reconhecidos como certos. Porem tem inércias e resistências que ainda fazem que estejam perpetrados. Inclusive porque ainda não se consolidaram, e as vezes nem criaram, modelos substitutivos novos. Essa fase da mudança, onde o velho não funciona mais e o novo demora para tomar conta, é geralmente muito perturbadora e sofrida, seja de um ponto de vista social que psicológico: intimo. A maior razão em culturas coletivas onde as pessoas não estão acostumadas a ficar sozinhas, no vazio ou conceber-se como protagonistas ativas de si mesmas e dos próprios contextos, demandando o próprio destino (presente e futuro) aos pais, ao estado ou a Deus.  Essa não é teoria. Essa fase fase de transição brota na pele das pessoas, e as vezes a rasga, todos os dias e em vários campos.  Vou fazer um exemplo...

SER FERRADO

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O Brasil é, e sempre será, uma bolha de um ponto de vista do desenvolvimento económico democrático. A razão é simples: a gerência da riqueza do Pais pertence a uma oligarquia de poderes que a administram como sendo própria, alavancando uma atitude e uma característica do brasileiro que, estrategicamente e politicamente, cuidam que seja continuamente preservadas.  Esse marco cultural geral é: o talento em ser ferrado. O costume/resignação do “Fazer o que?” Veja só.  Para ganhar mais, aproveitando das barreiras comerciais fechadas por meio de impostos e burocracias absurdas, ou seja do apoio politico em ficar fora do livre mercado, os produtores industriais podem permitir-se de colocar no mercado produtos de qualidade baixa, cobrando muito. Sólidos de lógicas monopolistas, podem economizar ao máximo a respeito de matérias primas, ingredientes básicos, etc.; podem explorar a mão de obra que aqui no Brasil é mais barata do que na China. Podem vender qualquer coisa; ...

Eu sou um fracassado

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Gosto fazer uma pergunta às pessoas: “Qual é seu sonho?” Semana passada, todos os adolescentes para os quais perguntei me deram a mesma resposta: “Quero ser milionário; quero ser muito rico”. Quero dizer: adolescentes!!! E aí, a geral atenção que reservo ao mundo, virou preocupação. Grande.  Nesse Brasil atual, o Brasil do “eu quero sempre mais”; um Brasil vigoréxico onde “todos sabem tudo” e tem sempre “algo para ensinar”; nesse Brasil onde se estuda na ilusão que um diploma seja uma precondição de riqueza; nesse Brasil onde corpo e dinheiro têm conotações morais, enobrecendo até mesmo se de plástica ou roubado, e o carro é o templo do ego social; onde o relacionamento é um dispositivo contra a solidão ou contingência hormonal e os filhos propriedade; nesse Brasil que funciona por comparações, desembrulhando-se entre honra e vergonha; nesse Brasil oligárquico, não de todos, mas de muitos, a pergunta vem espontânea:  “O que é o sucesso? O que o fracasso?”. E, acima ...

O que é o Amor? - O equilibrio do Amor: amar, ser amados e ficar juntos

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O que é o Amor?  Muitos, mais capacitados, mais sensíveis, mais corajosos do que eu, já se dedicaram para responder essa pergunta: poetas, filósofos, artistas, amásios ou simples loucos, como todos somos perante ao amor, já tentaram. Porem, ninguém, nem sequer esses ilustres, podem medir ou prender em palavras a essência de um coração que ama. Sempre, ou quase, encontramos na nossa vida, uma pessoa, ou mais do que uma, que desperta em nós um novo estado nascente: uma disponibilidade a sentir, entender, enxergar o próprio mundo ao redor, e si mesmos, de maneira diferente, nova, melhor talvez, graças a um jogo de espelhos que a “pessoa amada” provoca em nós com uma força sentimental perturbadora tão intensa e radical que não se pode conter e nem sequer aclarar.  Quando se ama, simplesmente, se quer bem; totalmente e incondicionalmente. A outra pessoa desencadeia, abre e gera em nós traços, sentimentos e emoções que vão além de nós: algo novo, total, potencial, tr...

O sucidio da Europa - migrantes e moedas

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Todos os que olham para o mundo como uma casa global, além do próprio pomar, com certeza estarão nesses dias atónitos perante as continuas crônicas e imagens chocantes de migrantes abarrotadas nas fronteiras europeias e rejeitados com violência entre arame farpado e indiferença. Sobre esse fenômeno já escutei, na região, inúmeras opiniões: a maioria baseadas sobre leituras superficiais ou utópicas ou emoções como o medo ou a culpa.  Mas o Xisse da questão vai muito alem disso enquanto, de fato, está sendo a fenda que vislumbra e formaliza a crise da constituição europeia e o fracasso do seu projeto. O ponto central do que partir para entender a questão é que fundamentalmente a União Europeia, mais do que um acordo comercial (Shengen), é substancialmente um Estado de Direito fundado sobre uma convergência comum de princípios, direitos e deveres. E perante os milhares de prófugos em fuga das guerras, a política comum está se fragmentando por posições nacionalistas subversivas. O ...

As origens do Mal (do Brasil) - Parte 2

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Na ultima coluna ZF (no Líder do 12/09 e no blog) propusemos algumas hipóteses explicativas sobre as origens de alguns marcos culturais “negativos” do Brasil.  Cada Pais, cada povo, no mundo, tem as suas características negativas, que juntas as positivas, vem amplificadas e fixadas em estereótipos culturais: os italianos (“ tutta brava gente ”), são mafiosos e corruptos, os franceses chauvinistas e arrogantes, os ingleses sisudos e frios, os alemães soberbos e rígidos, os africanos violentos e instituais, os russos agressivos e cínicos, etc.  Dos brasileiros identificamos: corrupção, jeitinho, dês-comprometimento com o trabalho, paternalismo, egoísmo, preguiça, tendência à enganação, materialismo, etc. São marcos culturais. Genéricos. Ninguém se ofenda. Cada um tem a possibilidade de não sê-lo.   Mas o ponto é: por quê esses marcos? De onde vem? Quais as origens?  Três fatores como hipótese. Na primeira parte desse artigo desenvolvi o primeiro; o at...

As Origens do mal (do Brasil)

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Do que a gente reclama de si mesma? Quais as atitudes no alvo das idiossincrasias dos brasileiros a respeito dos “outros” (si)-mesmos brasileiros? Corrupção, jeitinho, dês-comprometimento com o trabalho e com as consequências das próprias ações e, correlacionadamente, paternalismo, individualismo egoísta, preguiça, tendência à enganação, materialismo, etc.  É isso? Essas, mais ou menos, são as características com as quais, ao lado das obvias, positivas, marcamos negativamente o estereótipo cultural do brasileiro, aos seus mesmos olhos e do mundo.  Mas por que essas características? De onde vêm?  No meu programa de rádio “Parla con Deny”, no ar e no site da 103 FM, costumamos abordar esses temas sociais e questões que tem a ver com as realidades diárias dos comportamentos e das crônicas locais e nacionais. Basicamente vem dialogada uma reflexão sobre si mesmos e as próprias estruturas e subestruturas culturais.  Bom, um “refrão” que surge constantemente...

Tornar-se homem hoje: desafios e soluções

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“Não chore”. “Não seja Mulherzinha”. “Seja homem”. “Seja macho”. Quanto é complicado hoje ser homens?  Nesses dias tive a sorte de assistir, de maneira privilegiada, algo que, mais do que um filme, é um verdadeiro movimento, inclusive pelo fato que está sendo produzido por meio de um auto patrocínio, muito em auge o mundo do espetáculo, chamado crowdfunding (ou seja coleta de fundos) e, sendo assim, ainda não está terminado. Estou me referindo a um documentário com titulo em inglês “the mask you live in”, ou seja “a mascara em que você vive dentro”. De fato se trata de uma reflexão sobre como estamos prejudicando de um ponto de vista educativo e evolutivo os nossos filhos homens.  O ponto de partida é um perspectiva para avaliar como as expectativas culturais, e a consequente desigualdade entre os genros, afeta e pesa sobre a evolução dos homens nessa fase da contemporaneidade global.  O que acontece quando os modelos educativos baseados sobre ideias de gen...